segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Na sala (sujeito a alterações)

Enquanto pensava se perguntava ou não, alternava a execução de músicas e discos no reprodutor de mídia. Não sabia nada, a única informação que tinha era apenas a experiência do tempo passado. Arriscou, por mais que houvesse algum dano, nenhum poderia ser tão ruim que não conseguisse se recuperar. A dúdiva se encerrou e tudo que tinha possibilidade de ser um pequeno terremoto converteu-se em ainda menos: um ligeiro anúncio de algo que poderia (ser) mas que nada mais (seria) viria a ser (seria). Ainda recebeu um tranqüilizante, tudo isso era muito normal, não havia sido o(a) único(a) a passar pelo que passou. Mesmo assim, desculpou-se e contornou o embuste, distorcendo constrangimento em diversão. Segundos depois o esclarecedor se dissipou, uma sensação de incompletude e abreviação forçadas ancoraram-se nele(a). Nada mais incômodo que pudesse lhe ser ofertado surtiria tal efeito, deste momento em diante percebeu que tudo fora originado de apenas uma palavra: ter. Não que não tivesse, sim, tinha. Porém, aquele ter conjugado no presente do indicativo havia sido usado como uma forma oculta de lidar com o assunto. Deu-se por conta de que nada que havia dito tinha validade para com o outro. Preferiu ficar em silêncio, remoendo a si próprio(a), afligindo os próprios pensamentos com algo extremamente simplório porque isto já era um costume que se enraizava cada dia mais. Nos próximos dias acordaria pensando, ficaria com uma expressão murcha diante do espelho, e infelizmente, ao invés de perder a fome seria ainda mais prejudicado(a), pois era daqueles(as) que incomodados(as) comiam ainda mais, sempre tentando disfarçar suas frustrações, fossem elas visíveis a olho nu ou não.

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